
“A escuta é o lugar onde o sensível encontra o sentido.” ADF
É nesse espaço entre a palavra e o silêncio, entre o visível e o invisível que se orienta minha prática clínica.

Abordagem clínica
A abordagem clínica se apoia na psicanálise clássica, em diálogo com perspectivas humanistas e existenciais, reconhecendo que a constituição psíquica não se dá apenas no interior do indivíduo, mas também no atravessamento com o mundo, a cultura, a linguagem e a história. O sofrimento psíquico emerge, muitas vezes, nesse entre-lugar, quando a experiência vivida já não encontra palavras, imagens ou espaços de acolhimento.
A clínica orienta-se pela escuta como ato ético e como gesto de abertura ao desconhecido. Escutar, nesse contexto, não significa enquadrar a experiência em categorias prévias, mas sustentar um espaço onde o sujeito possa existir para além das nomeações que já o capturaram.
O trabalho clínico se beneficia de um olhar transversal, alimentado pelo contato com autores, narrativas e pensamentos multiculturais. Esses atravessamentos ampliam a escuta e permitem reconhecer que não há uma única forma de existir, desejar ou significar a vida.
A pluralidade de referências não fragmenta a clínica; ao contrário, oferece densidade e contexto à singularidade de cada sujeito.
Há especial atenção aos esconderijos psíquicos, lugares internos onde o sujeito se recolhe para se proteger, sobreviver ou preservar algo de si diante de experiências excessivas, traumáticas ou não simbolizadas. Esses esconderijos não são compreendidos como falhas a serem corrigidas, mas como respostas possíveis à vida. A clínica se constrói como um espaço seguro para que esses territórios possam, gradualmente, ser reconhecidos, nomeados e, se desejado, transformados.
A escuta, quando sustentada com rigor e sensibilidade, torna-se um espaço onde identidade e sentido podem ser construídos de forma lenta e processual, não como verdades fixas, mas como movimentos em constante elaboração.
O processo analítico se dá no tempo próprio de cada pessoa. Não há metas impostas nem promessas de adaptação rápida. Sustenta-se um campo de escuta onde palavra, silêncio, afeto e imagem possam circular, favorecendo a elaboração e a criação de novos sentidos.
A clínica não se ocupa apenas da dor, mas também daquilo que insiste em viver. Trabalhar com o humano implica reconhecer sua complexidade, suas contradições, suas perguntas sem resposta e sua capacidade de reinvenção.
