Michelangelo Caravaggio, “The Conversion of the Magdalene” (1598)

É nesse espaço entre a palavra e o silêncio, entre o visível e o invisível que se orienta minha prática clínica.

A abordagem clínica se apoia na psicanálise clássica, em diálogo com perspectivas humanistas e existenciais, reconhecendo que a constituição psíquica não se dá apenas no interior do indivíduo, mas também no atravessamento com o mundo, a cultura, a linguagem e a história. O sofrimento psíquico emerge, muitas vezes, nesse entre-lugar, quando a experiência vivida já não encontra palavras, imagens ou espaços de acolhimento.

A clínica orienta-se pela escuta como ato ético e como gesto de abertura ao desconhecido. Escutar, nesse contexto, não significa enquadrar a experiência em categorias prévias, mas sustentar um espaço onde o sujeito possa existir para além das nomeações que já o capturaram.

O trabalho clínico se beneficia de um olhar transversal, alimentado pelo contato com autores, narrativas e pensamentos multiculturais. Esses atravessamentos ampliam a escuta e permitem reconhecer que não há uma única forma de existir, desejar ou significar a vida.

A pluralidade de referências não fragmenta a clínica; ao contrário, oferece densidade e contexto à singularidade de cada sujeito.